Levantei-me surpreso, pois nada do que restava do quarto tinha o teu cheiro, o teu brilho... o teu tocar.
Do meu lado da cama, os chinelos e um tapete gasto pelas noites de amor em que os nossos corpos se uniam com o chão.
Abri os estores.
Lisboa estava linda e movimentada, como sempre, mas no quarto o tempo parece parado pela falta que me fazes.
Abri as malas e só vi a tua roupa sem cheiro, fotografias, mais roupa, fotografias, cartas, mais fotografias, lenços...
Nem um sinal da tua presença.
Senti-me vazio, uma aragem, uma brisa, algo que chamava por mim, e que tinha o teu nome, o teu cheiro. Procurei.te em todos os cantos do quarto de hotel, até pressentir um cheiro diferente do de quando me beijas, que me fez arrepiar . A porta da casa de banho estava semi aberta, a luz do espelho estava ligada e este estava partido em mil pedaços.No chão, a cor vermelha abundava e eu entrei em choque.
Segui o rasto deixado e encontrei o teu corpo a boiar sobre um mar de pétalas de tulipas bordeaux, aquelas que comprara ontem.
Eras tu e fui eu, pois os pedaços que faltavam no espelho estão presos no meu corpo, e eu que não tinha coração...

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