A escuridão da sala, o silêncio e o som da tua voz que continua permanente no meu ouvido.
São apenas coisas de que me tento abster, e tento nem lembrar. Aquela noite em que o teu sorriso se abriu para mim...
Este passado que é tão presente e está tão preso entre nós, mas não me deixa acordar.
Principalmente, recordo-me do som do teu piano desafinado e da tua voz, doce e serena. Lembro-me do teu olhar, sim, se era o teu verdadeiro olhar, aquele que chora à minha frente e que me tenta dizer 'adeus'.
Por momentos ainda pensei que me pertencias, que os dias em que os nossos corpos se tocavam eram algo especial, que para mim foram e que sempre serão.
Às vezes ainda penso que estas comigo, mas tento acordar e perceber que não estas, que foste com a sombra do teu silêncio, mas continuas iluminado pela minha lembrança.
O teu silêncio torna-se profundo como um punhal que me atravessa a alma e me devolve o que sou.
E o que sou? Nem eu próprio sei!

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