quarta-feira, 10 de março de 2010

Céu estrelado

Digo para mim mesmo....
"E
     st
         ou
               em
                        baixo"

Tento não me sentir assim, voltar a construir muralhas e paredes que me dêem segurança sobre uns alicerces que nada conseguem aguentar.
Quero chorar.
Tenho medo que o choro não termine, e que alguém veja... não quero que me vejam!
Sou e sempre serei o sorridente, o ombro amigo, aquele que podemos chorar, que ira sempre arranjar uma palavra para nos fazer sentir melhor... e para mim?
Bem... para mim, as palavras estão gastas.
Usadas...
Já nenhuma têm o impacto, já nenhuma tem eficiência.
Já nada resulta.
Tento largar a magoa, mas por mais que a queira largar, ela não me liberta.
Tenho medo...
mas o medo por vezes é a única coisa que me faz sentir vivo...
Estou farto de ser encargo, de ser um  mono na vida das pessoas, de não conseguir atingir nada, de ser o outro... de ser mais um ninguém num mundo de gente.
A vida não me sorri, nem me mostra a face. A vida deixou de me visitar, e quanto a isso ninguém pode fazer nada...
Desço as escadas da entrada... A noite estava fresca, suave, com uma brisa de eucalipto, O céu completamente estrelado, o  silêncio fez-se ensurdecedor...
A solidão mortal. Aguentei a respiração.
Estou sem fôlego para mais um dia de ausências e lutas, para mais um dia e que me vou culpabilizar de tudo o que se passa, de tudo o que sou e o que não sou...
Sinto o coração bombear nas veias, com muita intensidade...
Mais uma vez vou morrer...
Mais uma vez vou ser cobarde, e agir de igual maneira que a vida. Um virar de costas mutuo...
Um adeus fácil...
Mais um...
(queria pensar... mas o cérebro não permite)

Estou morto... e vejo-me caído, sobre a relva do Jardim... A apreciar as estrelas...
Ai... Como eu gosto de estrelas.

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